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Exibindo: Página 1.582 de 11.561

Questão: 7906 / QT-29520
Ano: 2024
Banca: Instituto Consulplan
Órgão: Prefeitura de Iúna - ES
Cargo: Motorista
Disciplina: Português

O gesso 


      Talvez um dia eu mande passar para o bronze; mas me afeiçoei a essa cabeça de gesso encardido que é a única lembrança material que tenho daquela que partiu.
      Seus olhos brancos parecem fitar um mundo estranho, contemplar alguma coisa além das coisas deste mundo. O ar é severo, quase triste. Mas sei como fazer vibrar essa imobilidade; minha arma é a luz. É com a luz que devagar e ternamente vou passeando os olhos pela face, a testa, a orelha delicada, os cabelos presos atrás por um laço. Então é como se os músculos ainda vivessem e os cabelos ainda tivessem o brilho macio, os lábios ainda pudessem se comprimir levemente, como se ela tivesse alguma palavra a dizer e não quisesse dizê-la.
      O escultor não se deixou encantar pela sua beleza; trabalhou com dura honestidade, com lenta obstinação, menos preocupado em fazer uma obra de arte em si mesma que em retratar a mulher.
      Quantas vezes vi esses olhos se rindo em plena luz ou brilhando suavemente na penumbra, olhando os meus. Agora olham por cima de mim ou através de mim, brancos, regressados com ela à sua substância de deusa.
      Agora ninguém mais a poderá ferir; e todos nós, desta cidade, que a conhecemos um dia e, mais que todos, aquele que mais obstinado, mais angustiosamente soube amá-la, aquele que hoje a contempla assim, prisioneira do imóvel gesso, mas libertada de toda a dor, toda a paixão tumultuária da vida – todos nós morremos um pouco na sua ausência.
      Muitas vezes encontro sua lembrança em alguma esquina da cidade; subitamente me sinto viver uma tarde antiga, como se a vida tivesse voltado um instante – ouço aquela voz dizer o meu nome, o bater de seus saltos na calçada, ao meu lado. Mas são lembranças vivas, carregadas de prazer e de angústia. Doem-me. Paro um momento na rua, como se fosse para deixar a tarde antiga passar pelos meus ombros, levada pela brisa; paro um momento e regresso ao dia de hoje, com todos os jogos do destino já idos e jogados.
      Mas à noite quando volto para casa, a cabeça de gesso me espera – imemorial, neutra, severa, apenas quase triste. E minha ternura é toda sossego e pureza.

(BRAGA, Rubem. Desculpem tocar no assunto. Crônicas Escolhidas. Tinta da China. Lisboa. MMXXIII.)
“Talvez um dia eu mande passar para o bronze; mas me afeiçoei a essa cabeça de gesso encardido que é a única lembrança material que tenho daquela que partiu.” (1º§). Depreende-se que o parágrafo anterior expõe:

-

Uma mistura de nostalgia, saudade e carinho.

-

O sonho desfeito após uma inexplicável traição.

-

Uma satisfação surpreendente ao relembrar um grande amor. 

-

A agitação e a revolta do narrador ao ser abandonado pela amada.


Questão: 7907 / QT-29521
Ano: 2024
Banca: Instituto Consulplan
Órgão: Prefeitura de Iúna - ES
Cargo: Motorista
Disciplina: Português

O gesso 


      Talvez um dia eu mande passar para o bronze; mas me afeiçoei a essa cabeça de gesso encardido que é a única lembrança material que tenho daquela que partiu.
      Seus olhos brancos parecem fitar um mundo estranho, contemplar alguma coisa além das coisas deste mundo. O ar é severo, quase triste. Mas sei como fazer vibrar essa imobilidade; minha arma é a luz. É com a luz que devagar e ternamente vou passeando os olhos pela face, a testa, a orelha delicada, os cabelos presos atrás por um laço. Então é como se os músculos ainda vivessem e os cabelos ainda tivessem o brilho macio, os lábios ainda pudessem se comprimir levemente, como se ela tivesse alguma palavra a dizer e não quisesse dizê-la.
      O escultor não se deixou encantar pela sua beleza; trabalhou com dura honestidade, com lenta obstinação, menos preocupado em fazer uma obra de arte em si mesma que em retratar a mulher.
      Quantas vezes vi esses olhos se rindo em plena luz ou brilhando suavemente na penumbra, olhando os meus. Agora olham por cima de mim ou através de mim, brancos, regressados com ela à sua substância de deusa.
      Agora ninguém mais a poderá ferir; e todos nós, desta cidade, que a conhecemos um dia e, mais que todos, aquele que mais obstinado, mais angustiosamente soube amá-la, aquele que hoje a contempla assim, prisioneira do imóvel gesso, mas libertada de toda a dor, toda a paixão tumultuária da vida – todos nós morremos um pouco na sua ausência.
      Muitas vezes encontro sua lembrança em alguma esquina da cidade; subitamente me sinto viver uma tarde antiga, como se a vida tivesse voltado um instante – ouço aquela voz dizer o meu nome, o bater de seus saltos na calçada, ao meu lado. Mas são lembranças vivas, carregadas de prazer e de angústia. Doem-me. Paro um momento na rua, como se fosse para deixar a tarde antiga passar pelos meus ombros, levada pela brisa; paro um momento e regresso ao dia de hoje, com todos os jogos do destino já idos e jogados.
      Mas à noite quando volto para casa, a cabeça de gesso me espera – imemorial, neutra, severa, apenas quase triste. E minha ternura é toda sossego e pureza.

(BRAGA, Rubem. Desculpem tocar no assunto. Crônicas Escolhidas. Tinta da China. Lisboa. MMXXIII.)
Em relação ao principal assunto desenvolvido no texto pode-se afirmar que: 

-

O escultor tinha como objetivo expressar, através do gesso, a sua notável subjetividade artística. 

-

O autor se preocupou, acima de tudo, em reproduzir e retratar precisamente a mulher – seu grande amor. 

-

O encantamento do escultor pela beleza descomunal da mulher comprometeu substancialmente a sua obra no gesso. 

-

É possível observar que o escultor concluiu a obra de arte celeremente, pois trabalhou com dura honestidade e empenho.


Questão: 7908 / QT-29522
Ano: 2024
Banca: Instituto Consulplan
Órgão: Prefeitura de Iúna - ES
Cargo: Motorista
Disciplina: Português

O gesso 


      Talvez um dia eu mande passar para o bronze; mas me afeiçoei a essa cabeça de gesso encardido que é a única lembrança material que tenho daquela que partiu.
      Seus olhos brancos parecem fitar um mundo estranho, contemplar alguma coisa além das coisas deste mundo. O ar é severo, quase triste. Mas sei como fazer vibrar essa imobilidade; minha arma é a luz. É com a luz que devagar e ternamente vou passeando os olhos pela face, a testa, a orelha delicada, os cabelos presos atrás por um laço. Então é como se os músculos ainda vivessem e os cabelos ainda tivessem o brilho macio, os lábios ainda pudessem se comprimir levemente, como se ela tivesse alguma palavra a dizer e não quisesse dizê-la.
      O escultor não se deixou encantar pela sua beleza; trabalhou com dura honestidade, com lenta obstinação, menos preocupado em fazer uma obra de arte em si mesma que em retratar a mulher.
      Quantas vezes vi esses olhos se rindo em plena luz ou brilhando suavemente na penumbra, olhando os meus. Agora olham por cima de mim ou através de mim, brancos, regressados com ela à sua substância de deusa.
      Agora ninguém mais a poderá ferir; e todos nós, desta cidade, que a conhecemos um dia e, mais que todos, aquele que mais obstinado, mais angustiosamente soube amá-la, aquele que hoje a contempla assim, prisioneira do imóvel gesso, mas libertada de toda a dor, toda a paixão tumultuária da vida – todos nós morremos um pouco na sua ausência.
      Muitas vezes encontro sua lembrança em alguma esquina da cidade; subitamente me sinto viver uma tarde antiga, como se a vida tivesse voltado um instante – ouço aquela voz dizer o meu nome, o bater de seus saltos na calçada, ao meu lado. Mas são lembranças vivas, carregadas de prazer e de angústia. Doem-me. Paro um momento na rua, como se fosse para deixar a tarde antiga passar pelos meus ombros, levada pela brisa; paro um momento e regresso ao dia de hoje, com todos os jogos do destino já idos e jogados.
      Mas à noite quando volto para casa, a cabeça de gesso me espera – imemorial, neutra, severa, apenas quase triste. E minha ternura é toda sossego e pureza.

(BRAGA, Rubem. Desculpem tocar no assunto. Crônicas Escolhidas. Tinta da China. Lisboa. MMXXIII.)
Assinale a alternativa em que o sinônimo da palavra sublinhada está correto. 

-

“O escultor não se deixou encantar pela sua beleza; trabalhou com dura honestidade, com lenta obstinação [...]” (3º§) – consternação. 

-

“[...] mas me afeiçoei a essa cabeça de gesso encardido que é a única lembrança material que tenho daquela que partiu.” (1º§) – compadeci. 

-

“É com a luz que devagar e ternamente vou passeando os olhos pela face, a testa, a orelha delicada, os cabelos presos atrás por um laço.” (2º§) – devotamente.

-

“Muitas vezes encontro sua lembrança em alguma esquina da cidade; subitamente me sinto viver uma tarde antiga, como se a vida tivesse voltado um instante [...]” (6º§) – inesperadamente.


Questão: 7909 / QT-29523
Ano: 2024
Banca: Instituto Consulplan
Órgão: Prefeitura de Iúna - ES
Cargo: Motorista
Disciplina: Português

O gesso 


      Talvez um dia eu mande passar para o bronze; mas me afeiçoei a essa cabeça de gesso encardido que é a única lembrança material que tenho daquela que partiu.
      Seus olhos brancos parecem fitar um mundo estranho, contemplar alguma coisa além das coisas deste mundo. O ar é severo, quase triste. Mas sei como fazer vibrar essa imobilidade; minha arma é a luz. É com a luz que devagar e ternamente vou passeando os olhos pela face, a testa, a orelha delicada, os cabelos presos atrás por um laço. Então é como se os músculos ainda vivessem e os cabelos ainda tivessem o brilho macio, os lábios ainda pudessem se comprimir levemente, como se ela tivesse alguma palavra a dizer e não quisesse dizê-la.
      O escultor não se deixou encantar pela sua beleza; trabalhou com dura honestidade, com lenta obstinação, menos preocupado em fazer uma obra de arte em si mesma que em retratar a mulher.
      Quantas vezes vi esses olhos se rindo em plena luz ou brilhando suavemente na penumbra, olhando os meus. Agora olham por cima de mim ou através de mim, brancos, regressados com ela à sua substância de deusa.
      Agora ninguém mais a poderá ferir; e todos nós, desta cidade, que a conhecemos um dia e, mais que todos, aquele que mais obstinado, mais angustiosamente soube amá-la, aquele que hoje a contempla assim, prisioneira do imóvel gesso, mas libertada de toda a dor, toda a paixão tumultuária da vida – todos nós morremos um pouco na sua ausência.
      Muitas vezes encontro sua lembrança em alguma esquina da cidade; subitamente me sinto viver uma tarde antiga, como se a vida tivesse voltado um instante – ouço aquela voz dizer o meu nome, o bater de seus saltos na calçada, ao meu lado. Mas são lembranças vivas, carregadas de prazer e de angústia. Doem-me. Paro um momento na rua, como se fosse para deixar a tarde antiga passar pelos meus ombros, levada pela brisa; paro um momento e regresso ao dia de hoje, com todos os jogos do destino já idos e jogados.
      Mas à noite quando volto para casa, a cabeça de gesso me espera – imemorial, neutra, severa, apenas quase triste. E minha ternura é toda sossego e pureza.

(BRAGA, Rubem. Desculpem tocar no assunto. Crônicas Escolhidas. Tinta da China. Lisboa. MMXXIII.)
As figuras de linguagem são formas de expressão que destoam da linguagem comum ou denotativa. Elas dão ao texto um significado que vai além do sentido literal; logo, permitem uma plurissignificação do enunciado. Levando-se em consideração que antítese é uma figura de linguagem que expressa uma contradição, assinale, a seguir, um exemplo de tal expressividade. 

-

“Mas são lembranças vivas, carregadas de prazer e de angústia.” (6º§) 

-

“Muitas vezes encontro sua lembrança em alguma esquina da cidade; [...]” (6º§) 

-

“Quantas vezes vi esses olhos se rindo em plena luz ou brilhando suavemente na penumbra, olhando os meus.” (4º§) 

-

“Seus olhos brancos parecem fitar um mundo estranho, contemplar alguma coisa além das coisas deste mundo.” (2º§)


Questão: 7910 / QT-29524
Ano: 2024
Banca: Instituto Consulplan
Órgão: Prefeitura de Iúna - ES
Cargo: Motorista
Disciplina: Português

O gesso 


      Talvez um dia eu mande passar para o bronze; mas me afeiçoei a essa cabeça de gesso encardido que é a única lembrança material que tenho daquela que partiu.
      Seus olhos brancos parecem fitar um mundo estranho, contemplar alguma coisa além das coisas deste mundo. O ar é severo, quase triste. Mas sei como fazer vibrar essa imobilidade; minha arma é a luz. É com a luz que devagar e ternamente vou passeando os olhos pela face, a testa, a orelha delicada, os cabelos presos atrás por um laço. Então é como se os músculos ainda vivessem e os cabelos ainda tivessem o brilho macio, os lábios ainda pudessem se comprimir levemente, como se ela tivesse alguma palavra a dizer e não quisesse dizê-la.
      O escultor não se deixou encantar pela sua beleza; trabalhou com dura honestidade, com lenta obstinação, menos preocupado em fazer uma obra de arte em si mesma que em retratar a mulher.
      Quantas vezes vi esses olhos se rindo em plena luz ou brilhando suavemente na penumbra, olhando os meus. Agora olham por cima de mim ou através de mim, brancos, regressados com ela à sua substância de deusa.
      Agora ninguém mais a poderá ferir; e todos nós, desta cidade, que a conhecemos um dia e, mais que todos, aquele que mais obstinado, mais angustiosamente soube amá-la, aquele que hoje a contempla assim, prisioneira do imóvel gesso, mas libertada de toda a dor, toda a paixão tumultuária da vida – todos nós morremos um pouco na sua ausência.
      Muitas vezes encontro sua lembrança em alguma esquina da cidade; subitamente me sinto viver uma tarde antiga, como se a vida tivesse voltado um instante – ouço aquela voz dizer o meu nome, o bater de seus saltos na calçada, ao meu lado. Mas são lembranças vivas, carregadas de prazer e de angústia. Doem-me. Paro um momento na rua, como se fosse para deixar a tarde antiga passar pelos meus ombros, levada pela brisa; paro um momento e regresso ao dia de hoje, com todos os jogos do destino já idos e jogados.
      Mas à noite quando volto para casa, a cabeça de gesso me espera – imemorial, neutra, severa, apenas quase triste. E minha ternura é toda sossego e pureza.

(BRAGA, Rubem. Desculpem tocar no assunto. Crônicas Escolhidas. Tinta da China. Lisboa. MMXXIII.)
“Agora olham por cima de mim ou através de mim, brancos, regressados com ela à sua substância de deusa.” (4º§) A expressão destacada se refere à:

-

Luz. 

-

Cabeça de gesso. 

-

Mulher amada pelo autor.

-

Paixão tumultuária da vida.



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