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Questão: 5246 / QT-184246
Ano: 2014
Banca: INEP
Órgão: ENEM
Cargo: Exame Nacional do Ensino Médio - Primeiro e Segundo Dia - PPL
Disciplina: Literatura

Cena


O canivete voou

E o negro comprado na cadeia

Estatelou de costas

E bateu coa cabeça na pedra


ANDRADE, O. Pau-brasil. São Paulo: Globo, 2001.


O Modernismo representou uma ruptura com os padrões formais e temáticos até então vigentes na literatura brasileira. Seguindo esses aspectos, o que caracteriza o poema Cena como modernista é o (a)

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construção linguística por meio de neologismo.

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estabelecimento de um campo semântico inusitado.

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configuração de um sentimentalismo conciso e irônico.

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subversão de lugares-comuns tradicionais.

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uso da técnica de montagem de imagens justapostas.


Questão: 5247 / QT-184247
Ano: 2014
Banca: INEP
Órgão: ENEM
Cargo: Exame Nacional do Ensino Médio - Primeiro e Segundo Dia - PPL
Disciplina: Português
Se observarmos o maxixe brasileiro, a beguine da Martinica, o danzón de Santiago de Cuba e o ragtime norte-americano, vemos que todos são adaptações da polca. A diferença de resultado se deve ao sotaque inerente à música de cada colonizador (português, espanhol, francês e inglês) e, em alguns casos, a uma maior influência da música religiosa.
CAZES, H. Choro: do quintal ao Municipal. São Paulo: Editora 34, 1998 (adaptado).
Além do sotaque inerente à música de cada colonizador e da influência religiosa, que outro elemento auxiliou a constituir os gêneros de música popular citados no texto?

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A região da África de origem dos escravos, trazendo tradições musicais e religiosas de tribos distintas.

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O relevo dos países, favorecendo o isolamento de comunidades, aumentando o número de gêneros musicais surgidos.

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O conjunto de portos, que favorecem o trânsito de diferentes influências musicais e credos religiosos.

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A agricultura das regiões, pois o que é plantado exerce influência nas canções de trabalho durante o plantio.

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O clima dos países em questão, pois as temperaturas influenciam na composição e vivacidade dos ritmos.


Questão: 5248 / QT-184248
Ano: 2014
Banca: INEP
Órgão: ENEM
Cargo: Exame Nacional do Ensino Médio - Primeiro e Segundo Dia - PPL
Disciplina: Português
Sem flecha, na rima
O grupo de rap Brô MCs, criado no final de 2009, é formado pelos pares de irmãos (daí o “bro”, de brother) Bruno/Clemerson e Kelvin/Charles, jovens que cresceram ouvindo hip hop nas rádios da aldeia Jaguapiru Bororo, em Dourados, Mato Grosso do Sul. — Desde o começo a gente não queria impor uma cultura estranha que invadisse a cultura indígena — afirma o produtor, chamando a atenção para o grande destaque do Brô MCs: as letras em língua indígena. Expressar-se em língua originária e fazer com que os jovens indígenas percebam a vitalidade do idioma nativo é uma das motivações do grupo. A dificuldade maior vem dos críticos, que não aceitam o fato de que a cultura indígena é dinâmica e sempre incorpora novidades. — “Mas índio cantando rap?”, tem gente que questiona. O rap é de quem canta, é de quem gosta, não é só dos americanos — avalia Dani [o vocal feminino].
BONFIM, E. Revista Língua Portuguesa, n. 81, jul. 2012 (adaptado)
Considerando-se as opiniões apresentadas no texto, a indagação “Mas índio cantando rap?” traduz um ponto de vista que evidencia

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desqualificação dos indígenas como músicos, desmerecendo sua capacidade musical devido a sua cultura.

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desvalorização da cultura rap em contrapartida às tradições musicais indígenas, motivo pelo qual os índios não devem cantar rap.

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preconceito por parte de quem não concebe que os índios possam conhecer o rap e, menos ainda, cantar esse gênero musical.

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equívoco por desconsiderar as origens culturais do gênero musical, ligadas ao contexto urbano.

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entendimento do rap como um gênero ultrapassado em relação à linguagem musical dos indígenas.


Questão: 5249 / QT-184249
Ano: 2014
Banca: INEP
Órgão: ENEM
Cargo: Exame Nacional do Ensino Médio - Primeiro e Segundo Dia - PPL
Disciplina: Português

Entrevista — Tony Bellotto


A língua é rock


Guitarrista do Titãs e escritor completa dez anos à frente de programa televisivo em que discute a língua portuguesa por meio da música


O que o atraiu na proposta de Afinando a Língua?


    No começo, em 1999, a ideia era fazer um programa que falasse de língua portuguesa usando a música como atrativo, principalmente, para os jovens. Com o passar do tempo, ele foi se transformando num programa sobre a linguagem usada em letras de música, no jornalismo, na literatura de ficção e na poesia. Como não sou um cara de TV, trago a experiência de escritor e músico, e sempre participo de forma mais ativa do que como um mero apresentador. Estou nas reuniões de pauta e faço sugestões nos roteiros. Mas o conteúdo é feito pelo pessoal do Futura.


    Quais as vantagens e desvantagens do ensino da língua por meio das letras de música?


    Não sou pedagogo ou educador, então só vejo vantagens, porque as letras de música usam uma linguagem que é a do dia a dia, principalmente, dos jovens. A música é algo que lhes dá prazer e, didaticamente, pode fazer as vezes de algo que o aluno tem a noção de ser entediante — estudo da língua, sentar e abrir um livro. Ao ouvir uma música, os exemplos surgem. É a grande vantagem e sempre foi a ideia do programa.


Disponível em: http://revistalingua.uol.com.br. Acesso em: 8 ago. 2012 (fragmento).


Os gêneros textuais são definidos por meio de sua estrutura, função e contexto de uso.Tomando por base a estrutura dessa entrevista, observa-se que

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a organização em turnos de fala reproduz o diálogo que ocorre entre os interlocutores.

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o tema e o suporte onde foi publicada justificam a ausência de traços da linguagem informal.

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a ausência de referências sobre o entrevistado é uma estratégia para induzir à leitura do texto na íntegra.

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o uso do destaque gráfico é um recurso de edição para ressaltar a importância do tema para o entrevistador.

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o entrevistado é um especialista em abordagens educacionais alternativas para o ensino da língua portuguesa.


Questão: 5250 / QT-184250
Ano: 2014
Banca: INEP
Órgão: ENEM
Cargo: Exame Nacional do Ensino Médio - Primeiro e Segundo Dia - PPL
Disciplina: Português
     Fogo frio
O Poeta A névoa que sobe dos campos, das grotas, do fundo dos vales, é o hálito quente da terra friorenta.
O Lavrador Engana-se, amigo. Aquilo é fumaça que sai da geada.
O Poeta Fumaça, que eu saiba, somente de chama e brasa é que sai!
O Lavrador E, acaso, a geada não é fogo branco caído do céu, tostando tudinho, crestando tudinho, queimando tudinho, sem pena, sem dó?
FORNARI, E. Trem da serra. Porto Alegre: Acadêmica, 1987.
Neste diálogo poético, encena-se um embate de ideias entre o Poeta e o Lavrador, em que

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a vitória simbólica é dada ao discurso do lavrador e tem como efeito a renovação de uma linguagem poética cristalizada.

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as duas visões têm a mesma importância e são equivalentes como experiência de vida e a capacidade de expressão.

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o autor despreza a sabedoria popular e traça uma caricatura do discurso do lavrador, simplório e repetitivo.

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as imagens contraditórias de frio e fogo referidas à geada compõem um paradoxo que o poema não é capaz de organizar.

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o discurso do lavrador faz uma personificação da natureza para explicar o fenômeno climático observado pelos personagens.



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