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Total de Questões Encontradas: 6.422 de 252.126
Exibindo: Página 45 de 1.285

Questão: 221 / QT-179221
Ano: 2019
Banca: INEP
Órgão: ENEM
Cargo: Vestibular - PPL
Disciplina: Português
As cores
Maria Alice abandonou o livro onde seus dedos longos liam uma história de amor. Em seu pequeno mundo de volumes, de cheiros, de sons, todas aquelas palavras eram a perpétua renovação dos mistérios em cujo seio sua imaginação se perdia. [...] Como seria cor e o que seria? [...]. Era, com certeza, a nota marcante de todas as coisas para aqueles cujos olhos viam, aqueles olhos que tantas vezes palpara com inveja calada e que se fechavam, quando os tocava, sensíveis como pássaros assustados, palpitantes de vida, sob seus dedos trêmulos, que diziam ser claros. Que seria o claro, afinal? Algo que aprendera, de há muito, ser igual ao branco. [...] E agora Maria Alice voltava outra vez ao Instituto. E ao grande amigo que lá conhecera. [...]. Lembrava-se da ternura daquela voz, da beleza daquela voz. De como se adivinhavam entre dezenas de outros e suas mãos se encontravam. De como as palavras de amor tinham irrompido e suas bocas se encontrado... De como um dia seus pais haviam surgido inesperadamente no Instituto e a haviam levado à sala do diretor e se haviam queixado da falta de vigilância e moralidade no estabelecimento. E de como, no momento em que a retiravam e quando ela disse que pretendia se despedir de um amigo pelo qual tinha grande afeição e com quem se queria casar, o pai exclamara, horrorizado: — Você não tem juízo, criatura? Casar-se com um mulato? Nunca! Mulato era cor. Estava longe aquele dia. Estava longe o Instituto, ao qual não saberia voltar, do qual nunca mais tivera notícia, e do qual somente restara o privilégio de caminhar sozinha pelo reino dos livros, tão parecido com a vida dos outros, tão cheio de cores... LESSA, O. Seleta de Orígenes Lessa. Rio de Janeiro: José Olympio, 1973.
No texto, a condição da personagem e os desdobramentos da narrativa conduzem o leitor a compreender o(a)

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percepção das cores como metáfora da discriminação racial.

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privação da visão como elemento definidor das relações humanas.

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contraste entre as representações do amor de diferentes gerações.

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prevalência das diferenças sociais sobre a liberdade das relações afetivas.

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embate entre a ingenuidade juvenil e a manutenção de tradições familiares.


Questão: 222 / QT-179222
Ano: 2019
Banca: INEP
Órgão: ENEM
Cargo: Vestibular - PPL
Disciplina: Português
Prezada senhorita,    Tenho a honra de comunicar a V. S. que resolvi, de acordo com o que foi conversado com seu ilustre progenitor, o tabelião juramentado Francisco Guedes, estabelecido à Rua da Praia, número 632, dar por encerrados nossos entendimentos de noivado. Como passei a ser o contabilista-chefe dos Armazéns Penalva, conceituada firma desta praça, não me restará, em face dos novos e pesados encargos, tempo útil para os deveres conjugais.    Outrossim, participo que vou continuar trabalhando no varejo da mancebia, como vinha fazendo desde que me formei em contabilidade em 17 de maio de 1932, em solenidade presidida pelo Exmo. Sr. Presidente do Estado e outras autoridades civis e militares, bem assim como representantes da Associação dos Varejistas e da Sociedade Cultural e Recreativa José de Alencar.    Sem mais, creia-me de V. S. patrício e admirador,     Sabugosa de Castro
CARVALHO, J. C. Amor de contabilista. In: Porque Lulu Bergatim não atravessou o Rubicon. Rio de Janeiro: José Olympio, 1971.
A exploração da variação linguística é um elemento que pode provocar situações cômicas. Nesse texto, o tom de humor decorre da incompatibilidade entre

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o objetivo de informar e a escolha do gênero textual.

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a linguagem empregada e os papéis sociais dos interlocutores.

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o emprego de expressões antigas e a temática desenvolvida no texto.

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as formas de tratamento utilizadas e as exigências estruturais da carta.

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o rigor quanto aos aspectos formais do texto e a profissão do remetente.


Questão: 223 / QT-179223
Ano: 2019
Banca: INEP
Órgão: ENEM
Cargo: Vestibular - PPL
Disciplina: Português
A identificação simbólica que existe na cultura esportiva pode ser um fator determinante nas ações potencialmente agressivas dos espectadores e torcedores de futebol. Essa identificação em indivíduos que não têm uma identidade própria pode levá-los a não perceber os limites entre a sua vida e a sua equipe, ou entre a sua vida e a vida de um ídolo (jogador), e, dessa forma, passar a viver suas emoções basicamente por meio de acontecimentos esportivos, do sucesso e da derrota de seu clube predileto. Alguns dos torcedores organizados dedicam a vida à sua torcida. Vivem para ela e, por ela, chegam a perder qualquer outra referência, pois é essa experiência compensatória que lhes dá identidade. A probabilidade de um indivíduo se tornar um torcedor fanático está diretamente relacionada com a construção da sua identidade. Por isso, é imprescindível o desenvolvimento de relações e valores próprios que o ajudarão a delinear o limite entre ele e a sua equipe, ou entre ele e um jogador de futebol.
REIS, H. H. B. Futebol e violência. Campinas: Armazém do Ipê; Autores Associados, 2006 (adaptado).
Partindo da discussão sobre as relações entre o torcedor e seu clube, observa-se que o fanatismo futebolístico

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deriva da falta de referências para a construção de valores morais em crise na sociedade.

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está relacionado à fragilidade identitária, o que dificulta a dissociação entre sua vida e a de seu clube ou ídolo.

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perde sustentação naqueles torcedores organizados que não conseguem separar as esferas pública e privada.

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decorre do estabelecimento de uma identidade própria do indivíduo, forjada pela tutela do clube e de seus ídolos.

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é restrito às torcidas jovens, que corrompem a identidade individual de seus torcedores em favor da identidade coletiva.


Questão: 224 / QT-179224
Ano: 2019
Banca: INEP
Órgão: ENEM
Cargo: Vestibular - PPL
Disciplina: Português
Como a percepção do tempo muda de acordo com a língua
Línguas diferentes descrevem o tempo de maneiras distintas — e as palavras usadas para falar sobre ele moldam nossa percepção de sua passagem. O estudo “Distorção temporal whorfiana: representando duração por meio da ampulheta da língua”, publicado no jornal da APA (Associação Americana de Psicologia), mostra que conceitos abstratos, como a percepção da duração do tempo, não são universais. Os autores não só verificaram uma mudança da percepção temporal conforme a língua falada como observaram que a transição de uma língua para outra por um mesmo indivíduo modificava sua estimativa de uma duração de tempo. Isso implica que visões diferentes de tempo convivem no cérebro de um indivíduo bilíngue. “O fato de que pessoas bilíngues transitam entre essas diferentes formas de estimar o tempo sem esforço e inconscientemente se encaixa nas evidências crescentes que demonstram a facilidade com que a linguagem se entremeia furtivamente em nossos sentidos mais básicos, incluindo nossas emoções, percepção visual e, agora, ao que parece, nossa sensação de tempo”, disse o pesquisador ao site Quartz. LIMA, J. D. Disponível em: www.nexojornal.com.br. Acesso em: 24 ago. 2017.
O texto relata experiências e resultados de um estudo que reconhece a importância

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da compreensão do tempo pelo cérebro.

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das pesquisas científicas sobre a cognição.

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da teoria whorfiana para a área da linguagem.

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das linguagens e seus usos na vida das pessoas.

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do bilinguismo para o desenvolvimento intelectual.


Questão: 225 / QT-179225
Ano: 2019
Banca: INEP
Órgão: ENEM
Cargo: Vestibular - PPL
Disciplina: Português

TEXTO I

Imagem associada 
para resolução da questão

Fotografia em preto e branco de músico da cultura lupa (norte de Angola) tocando uma kalimba ou lamelofone.

INTERNATIONAL Library of African Music, Angola. Disponível em: http://keywordsuggest.org. Acesso em: 18 ago. 2017.

TEXTO II

Imagem associada para resolução da questão

Manifestação carnavalesca registrada por Debret (1826): escravos vestidos como europeus, em cortejo musical, à época do Império.

DEBRET, J.-B. Disponível em: http://koyre.ehess.fr. Acesso em: 18 ago. 2017


O instrumento feito de lâminas metálicas e cabaça é comum a manifestações musicais na África e no Brasil. Nos textos, apesar de figurarem em contextos geográficos separados pelo Oceano Atlântico e terem cerca de um século de distanciamento temporal, a semelhança do instrumento demonstra a

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vinculação desses instrumentos com a cultura dos negros escravizados.

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influência da cultura africana na construção da musicalidade brasileira.

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condição de colônia europeia comum ao Brasil e grande parte da África.

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escassez de variedade de instrumentos musicais relacionados à cultura africana.

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importância de registros artísticos na difusão e manutenção de uma tradição musical.



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