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Questão: 2481 / QT-181481
Ano: 2023
Banca: INEP
Órgão: ENEM
Cargo: Exame Nacional do Ensino Médio - Primeiro e Segundo Dia - Edital 2023
Disciplina: Português
“São tantas formas de matar um preto Que para alguns sua morte é justificada Devia tá fazendo coisa errada Se não era bandido, um dia ia ser Por ser PRETO sua morte é defendida O PRETO sempre merece morrer”.
       A estrofe acima é do poeta e educador social Baticum Proletário, que atua na periferia de Fortaleza, no Ceará, preparando jovens — em quase sua totalidade negros — para enfrentar as dificuldades impostas pelo racismo estrutural no país.
     É a partir da arte que Baticum consegue envolver a juventude em um projeto de fortalecimento dessa população ao promover batalhas de rimas, slams e saraus com temáticas que discutem os problemas sociais. Não por acaso, o tema mais explorado nas rimas, versos e prosas é a violência. De acordo com o mais recente Atlas da violência, em 2019, os negros representaram 77% das vítimas de homicídios, quase 30 assassinatos por 100 mil habitantes, a maioria deles jovens.
    O Atlas revela ainda que um negro tem quase 2,7 vezes mais chance de ser morto do que um branco, o que justifica o movimento de resistência crescente no Brasil.
MENDONÇA, F. Disponível em: www.cartacapital.com.br. Acesso em: 22 nov. 2021 (adaptado).


O uso de citação e de dados estatísticos nesse texto tem o objetivo de

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ressaltar a importância da poesia para denunciar a morte de negros, que cresce a cada dia.

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destacar o crescimento exponencial da temática do preconceito na produção literária no Brasil.

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demonstrar o incremento no quantitativo de expressões artísticas na discussão de problemas sociais.

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evidenciar argumentos que reforçam a ideia de que os negros são vítimas em potencial da violência.

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salientar o aumento da participação de jovens nos movimentos de resistência na área da cultura. 

Comentários da Questão

Questão: 2482 / QT-181482
Ano: 2023
Banca: INEP
Órgão: ENEM
Cargo: Exame Nacional do Ensino Médio - Primeiro e Segundo Dia - Edital 2023
Disciplina: Português
    No princípio era o verbo. A frase que abre o primeiro capítulo do Evangelho de João e remete à criação do mundo, assim como também faz o Gênesis, é a mais famosa da Bíblia. A ideia de que o mundo é criado pela palavra, porém, é tão estruturante que está presente em outras religiões, para muito além das fundadas no cristianismo. Como humanos, a linguagem é o mundo que habitamos. Basta tentar imaginar um mundo em que não podemos usar palavras para dizer de nós e dos outros para compreender o que isso significa. Ou um mundo em que aquilo que você diz não é entendido pelo outro, e o que o outro diz não é entendido por você.
     O que acontece então quando a palavra é destruída e, com ela, a linguagem?
     Durante séculos, em diferentes sociedades e línguas, é importante lembrar, a linguagem serviu — e ainda serve — para manter privilégios de grupos de poder e deixar todos os outros de fora. Quem entende linguagem de advogados, juízes e promotores, linguagem de médicos, linguagem de burocratas, linguagem de cientistas? A maior parte da população foi submetida à violência de propositalmente ser impedida de compreender a linguagem daqueles que determinam seus destinos.
      Se o princípio é o verbo, o fim pode ser o silenciamento. Mesmo que ele seja cheio de gritos entre aqueles que já não têm linguagem comum para compreender uns aos outros.

BRUM, E. Disponível em: https://brasil.elpais.com. Acesso em: 5 nov. 2021.


Nesse texto, a estratégia usada para convencer o leitor de que uma grande parcela da população não compreende a linguagem daqueles que detêm o poder foi

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revelar a origem religiosa da linguagem.

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questionar o temor sobre o futuro da linguagem.

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descrever a relação entre sociedade e linguagem. 

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apresentar as consequências do esfacelamento da linguagem.

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criticar o obstáculo promovido pelos usos especializados da linguagem.

Comentários da Questão

Questão: 2483 / QT-181483
Ano: 2023
Banca: INEP
Órgão: ENEM
Cargo: Exame Nacional do Ensino Médio - Primeiro e Segundo Dia - Edital 2023
Disciplina: Português
   Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Ceará desenvolveu um dicionário para traduzir sintomas de doenças da linguagem popular para os termos médicos. Defruço, chanha e piloura, por exemplo, podem ser termos conhecidos para muitos, mas, durante uma consulta médica, o desconhecimento pode significar um diagnóstico errado.
     “Isso é um registro histórico e pode ser muito útil para estudos dessas comunidades, na abordagem médica delas. É de certa forma pioneiro no Brasil e, sem dúvida, um instrumento de trabalho importante, porque a comunicação é fundamental na relação médico-paciente”, avalia o reitor da instituição.

Disponível em: https://g1.globo.com. Acesso em: 1 nov. 2021 (adaptado).

Ao registrarem usos regionais de termos da área médica, pesquisadores

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apontaram erros motivados pelo desconhecimento da variedade linguística local. 

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explicaram problemas provocados pela incapacidade de comunicação.

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descobriram novos sintomas de doenças existentes na comunidade.

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propiciaram melhor compreensão dos sintomas dos pacientes.

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divulgaram um novo rol de doenças características da localidade. 

Comentários da Questão

Questão: 2484 / QT-181484
Ano: 2023
Banca: INEP
Órgão: ENEM
Cargo: Exame Nacional do Ensino Médio - Primeiro e Segundo Dia - Edital 2023
Disciplina: Português
Alguém muito recentemente cortara o mato, que na época das chuvas crescia e rodeava a casa da mãe de Ponciá Vicêncio e de Luandi. Havia também vestígios de que a terra fora revolvida, como se ali fosse plantar uma pequena roça. Luandi sorriu. A mãe devia estar bastante forte, pois ainda labutava a terra. Cantou alto uma cantiga que aprendera com o pai, quando eles trabalhavam na terra dos brancos. Era uma canção que os negros mais velhos ensinavam aos mais novos. Eles diziam ser uma cantiga de voltar, que os homens, lá na África, entoavam sempre, quando estavam regressando da pesca, da caça ou de algum lugar. O pai de Luandi, no dia em que queria agradar à mulher, costumava entoar aquela cantiga ao se aproximar de casa. Luandi não entendia as palavras do canto; sabia, porém, que era uma língua que alguns negros falavam ainda, principalmente os velhos. Era uma cantiga alegre. Luandi, além de cantar, acompanhava o ritmo batendo com as palmas das mãos em um atabaque imaginário. Estava de regresso à terra. Voltava em casa. Chegava cantando, dançando a doce e vitoriosa cantiga de regressar.

EVARISTO, C. Ponciá Vicêncio. Rio de Janeiro: Pallas, 2018.


A leitura do texto permite reconhecer a “cantiga de voltar” como patrimônio linguístico que

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representa a memória de uma língua africana extinta. 

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exalta a rotina executada por jovens afrodescendentes.

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preserva a ancestralidade africana por meio da tradição oral.

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resgata a musicalidade africana por meio de palavras inteligíveis.

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remonta à tristeza dos negros mais velhos com saudade da África.

Comentários da Questão

Questão: 2485 / QT-181485
Ano: 2023
Banca: INEP
Órgão: ENEM
Cargo: Exame Nacional do Ensino Médio - Primeiro e Segundo Dia - Edital 2023
Disciplina: Português
TEXTO I
      Zapeei os canais, como há dezenas de anos faço, e pá: parei num que exibia um episódio daquela velha família do futuro, Os Jetsons.
     Nesse episódio em particular, a Jane Jetson, esposa do George, tratava de dirigir aquele veículo voador deles. Meu queixo foi caindo à medida que as piadinhas machistas sobre mulheres dirigirem foram se acumulando. Impressionante! Que futuro careta aqueles roteiristas imaginavam! Seriam incapazes de projetar algo melhor, e não apenas em termos de tecnologias, robôs e carros voadores? Será que nossa máxima visão de futuro só atinge as coisas, e jamais as pessoas? Como a Jane, uma mulher de 33 anos no desenho, poderia ser o que foram as minhas bisavós?
      O futuro, naquele desenho, se esqueceu de ser melhor nas relações entre as pessoas. Aliás... tão parecido com a vida.
       Fiquei de cara, como dizemos aqui, ou como dizíamos na minha adolescência, pobre adolescência, aprendendo, sem querer e sem muita defesa, um futuro tão besta quanto o passado.

RIBEIRO, A. E. Disponível em: www.rascunho.com br. Acesso em: 21 out. 2021 (adaptado). 

TEXTO II
       Masculino e feminino são campos escorregadios que só se definem por oposição, sempre incompleta, um do outro. São formações imaginárias que buscam produzir uma diferença radical e complementar onde só existem, de fato, mínimas diferenças. O resto é questão de estilo. Até pelo menos a segunda metade do século 19, o divisor de águas era claro: os homens ocupavam o espaço público. As mulheres tratavam da vida privada. Privada de quê? De visibilidade, diria Hannah Arendt. De visibilidade pública. Do que as mulheres estiveram privadas até o século 20 foi de presença pública manifesta não em imagem, mas em palavra. A palavra feminina, reservada ao espaço doméstico, não produzia diferença na vida social.

KHEL, M. R. Disponível em: https://alias.estadao.com.br. Acesso em: 19 out. 2021 (adaptado).

A representação da mulher apresentada no Texto I pode ser explicada pelo Texto II no que diz respeito à(às)

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censura a formas de expressão femininas.

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ausência da figura feminina na vida pública.

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construções imaginárias cristalizadas na sociedade.

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limitações inerentes às figuras femininas e masculinas.

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dificuldade na atribuição de papéis masculinos e femininos. 

Comentários da Questão


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