Mal secreto
Se a cólera que
espuma, a dor que mora
N’alma, e destrói cada ilusão que
nasce,
Tudo o que punge, tudo o que devora
O coração, no rosto se estampasse;
Se se pudesse, o espírito que
chora,
Ver através da máscara da face,
Quanta gente, talvez, que inveja agora
Nos causa, então piedade
nos causasse!
Quanta gente que ri, talvez, consigo
Guarda um atroz, recôndito inimigo,
Como invisível chaga
cancerosa!
Quanta gente que ri, talvez existe,
Cuja ventura única consiste
Em parecer aos outros venturosa!
CORREIA. R In: PATRIOTA, M. Para compreender Raimundo
Correia. Brasilia: AFhambra, 1995.