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Questão: 3746 / QT-182746
Ano: 2014
Banca: INEP
Órgão: ENEM
Cargo: Exame Nacional do Ensino Médio - Primeiro e Segundo Dia
Disciplina: Português
TEXTO I

João Guedes, um dos assíduos frequentadores do boliche do capitão, mudara-se da campanha havia três anos. Três anos de pobreza na cidade bastaram para o degradar. Ao morrer, não tinha um vintém nos bolsos e fazia dois meses que saíra da cadeia, onde estivera preso por roubo de ovelha.
A história de sua desgraça se confunde com a da maioria dos que povoam a aldeia de Boa Ventura, uma cidadezinha distante, triste e precocemente envelhecida, situada nos confins da fronteira do Brasil com o Uruguai.

MARTINS, C. Porteira fechada. Porto Alegre: Movimento, 2001 (fragmento).

TEXTO II

Comecei a procurar emprego, já topando o que desse e viesse, menos complicação com os homens, mas não tava fácil. Fui na feira, fui nos bancos de sangue, fui nesses lugares que sempre dão para descolar algum, fui de porta em porta me oferecendo de faxineiro, mas tava todo mundo escabreado pedindo referências, e referências eu só tinha do diretor do presídio.

FONSECA, R. Feliz Ano Novo. São Paulo: Cia. das Letras, 1989(fragmento).

A oposição entre campo e cidade esteve entre as temáticas tradicionais da literatura brasileira. Nos fragmentos dos dois autores contemporâneos, esse embate incorpora um elemento novo: a questão da violência e do desemprego. As narrativas apresentam confluência, pois nelas o(a)

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criminalidade é algo inerente ao ser humano, que sucumbe a suas manifestações.

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meio urbano, especialmente o das grandes cidades, estimula uma vida mais violenta.

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falta de oportunidades na cidade dialoga com a pobreza do campo rumo à criminalidade.

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êxodo rural e a falta de escolaridade são causas da violência nas grandes cidades.

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complacência das leis e a inércia das personagens são estímulos à prática criminosa.


Questão: 3747 / QT-182747
Ano: 2014
Banca: INEP
Órgão: ENEM
Cargo: Exame Nacional do Ensino Médio - Primeiro e Segundo Dia
Disciplina: Português
O correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem.

ROSA, J . G. Grande sertão: veredas. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.

No romance Grande sertão: veredas, o protagonista Riobaldo narra sua trajetória de jagunço. A leitura do trecho permite identificar que o desabafo de Riobaldo se aproxima de um (a)

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diário, por trazer lembranças pessoais.

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fábula, por apresentar uma lição de moral.

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notícia, por informar sobre um acontecimento.

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aforismo, por expor uma máxima em poucas palavras.

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crônica, por tratar de fatos do cotidiano.


Questão: 3748 / QT-182748
Ano: 2014
Banca: INEP
Órgão: ENEM
Cargo: Exame Nacional do Ensino Médio - Primeiro e Segundo Dia
Disciplina: Português
Há qualquer coisa de especial nisso de botar a cara na janela em crônica de jornal — eu não fazia isso há muitos anos, enquanto me escondia em poesia e ficção. Crônica algumas vezes também é feita, intencionalmente, para provocar. Além do mais, em certos dias mesmo o escritor mais escolado não está lá grande coisa. Tem os que mostram sua cara escrevendo para reclamar: moderna demais, antiquada demais. Alguns discorrem sobre o assunto, e é gostoso compartilhar ideias. Há os textos que parecem passar despercebidos, outros rendem um montão de recados: “Você escreveu exatamente o que eu sinto”, “Isso é exatamente o que falo com meus pacientes”, “É isso que digo para meus pais”, “Comentei com minha namorada”. Os estímulos são valiosos pra quem nesses tempos andava meio assim: é como me botarem no colo — também eu preciso. Na verdade, nunca fui tão posta no colo por leitores como na janela do jornal. De modo que está sendo ótima, essa brincadeira séria, com alguns textos que iam acabar neste livro, outros espalhados por aí. Porque eu levo a sério ser sério... mesmo quando parece que estou brincando: essa é uma das maravilhas de escrever. Como escrevi há muitos anos e continua sendo a minha verdade: palavras são meu jeito mais secreto de calar.

LUFT, L. Pensar é transgredir. Rio de Janeiro: Record, 2004.

Os textos fazem uso constante de recursos que permitem a articulação entre suas partes. Quanto à construção do fragmento, o elemento

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“nisso” introduz o fragmento “botar a cara na janela em crônica de jornal”.

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“assim” é uma paráfrase de “é como me botarem no colo”.

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“isso” remete a “escondia em poesia e ficção”.

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“alguns” antecipa a informação “É isso que digo para meus pais”.

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“essa” recupera a informação anterior “janela do jornal”.


Questão: 3749 / QT-182749
Ano: 2014
Banca: INEP
Órgão: ENEM
Cargo: Exame Nacional do Ensino Médio - Primeiro e Segundo Dia
Disciplina: Português
Era um dos meus primeiros dias na sala de música. Afim de descobrirmos o que deveríamos estar fazendo ali, propus à classe um problema. Inocentemente perguntei: — O que é música?
Passamos dois dias inteiros tateando em busca de uma definição. Descobrimos que tínhamos de rejeitar todas as definições costumeiras porque elas não eram suficientemente abrangentes.
O simples fato é que, à medida que a crescente margem a que chamamos de vanguarda continua suas explorações pelas fronteiras do som, qualquer definição se torna difícil. Quando John Cage abre a porta da sala de concerto e encoraja os ruídos da rua a atravessar suas composições, ele ventila a arte da música com conceitos novos e aparentemente sem forma.

SCHAFER, R. M. O ouvido pensante. São Paulo: Unesp, 1991 (adaptado).

A frase “Quando John Cage abre a porta da sala de concerto e encoraja os ruídos da rua a atravessar suas composições”, na proposta de Schafer de formular uma nova conceituação de música, representa a

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acessibilidade à sala de concerto como metáfora, num momento em que a arte deixou de ser elitizada.

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abertura da sala de concerto, que permitiu que a música fosse ouvida do lado de fora do teatro.

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postura inversa à música moderna, que desejava se enquadrar em uma concepção conformista

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intenção do compositor de que os sons extramusicais sejam parte integrante da música.

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necessidade do artista contemporâneo de atrair maior público para o teatro.


Questão: 3750 / QT-182750
Ano: 2014
Banca: INEP
Órgão: ENEM
Cargo: Exame Nacional do Ensino Médio - Primeiro e Segundo Dia
Disciplina: Português
Censura moralista

Há tempos que a leitura está em pauta. E, diz-se, em crise. Comenta-se esta crise, por exemplo, apontando a precariedade das práticas de leitura, lamentando a falta de familiaridade dos jovens com livros, reclamando da falta de bibliotecas em tantos municípios, do preço dos livros em livrarias, num nunca acabar de problemas e de carências. Mas, de um tempo para cá, pesquisas acadêmicas vêm dizendo que talvez não seja exatamente assim, que brasileiros leem, sim, só que leem livros que as pesquisas tradicionais não levam em conta. E, também de um tempo para cá, políticas educacionais têm tomado a peito investir em livros e em leitura.

LAJOLO, M. Disponível em: www.estadao.com.br. Acesso em: 2 dez. 2013 (fragmento).

Os falantes, nos textos que produzem, sejam orais ou escritos, posicionam-se frente a assuntos que geram consenso ou despertam polêmica. No texto, a autora

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ressalta a importância de os professores incentivarem os jovens às práticas de leitura.

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critica pesquisas tradicionais que atribuem a falta de leitura à precariedade de bibliotecas.

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rebate a ideia de que as políticas educacionais são eficazes no combate à crise de leitura.

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questiona a existência de uma crise de leitura com base nos dados de pesquisas acadêmicas.

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atribui a crise da leitura à falta de incentivos e ao desinteresse dos jovens por livros de qualidade.



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