Se, pois, para as coisas que fazemos existe
um fim
que desejamos por ele mesmo e tudo o mais é desejado
no interesse desse fim; evidentemente
tal fim será o bem,
ou antes, o sumo bem. Mas não terá o conhecimento,
porventura, grande influência
sobre essa vida? Se assim
é, esforcemo-nos por determinar, ainda que em linhas
gerais apenas, o que
seja ele e de qual das ciências ou
faculdades constitui o objeto. Ninguém duvidará de que
o seu estudo
pertença à arte mais prestigiosa e que
mais verdadeiramente se pode chamar a arte mestra.
Ora, a
política mostra ser dessa natureza, pois é ela que
determina quais as ciências que devem ser
estudadas
num Estado, quais são as que cada cidadão deve
aprender, e até que ponto; e vemos que
até as faculdades
tidas em maior apreço, como a estratégia, a economia e
a retórica, estão sujeitas a
ela. Ora, como a política utiliza
as demais ciências e, por outro lado, legisla sobre o que
devemos e o que
não devemos fazer, a finalidade dessa
ciência deve abranger as das outras, de modo que essa
finalidade
será o bem humano.
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. In: Pensadores. São Paulo: Nova Cultural, 1991 (adaptado).
Para Aristóteles, a relação
entre o sumo bem e a
organização da pólis pressupõe
que