Texto CG1A1-I
Algumas das primeiras incursões
pelos mundos paralelos ocorreram na década de 50 do século passado, graças ao trabalho de
pesquisadores interessados em certos aspectos da mecânica quântica — teoria desenvolvida para
explicar os fenômenos que ocorrem no reino microscópico dos átomos e das partículas subatômicas. A
mecânica quântica quebrou o molde da mecânica clássica, que a antecedeu, ao firmar o conceito de
que as previsões científicas são necessariamente probabilísticas. Podemos prever a probabilidade de
alcançar determinado resultado ou outro, mas em geral não podemos prever qual deles acontecerá.
Essa quebra de rumo com relação a centenas de anos de pensamento científico já é suficientemente
chocante, mas há outro aspecto da teoria quântica que nos confunde ainda mais, embora desperte
menos atenção. Depois de anos de criterioso estudo da mecânica quântica, e depois da acumulação de
uma pletora de dados que confirmam suas previsões probabilísticas, ninguém até hoje soube explicar
por que razão apenas uma das muitas resoluções possíveis de qualquer situação que se estude torna-
se real. Quando fazemos experimentos, quando examinamos o mundo, todos estamos de acordo com
o fato de que deparamos com uma realidade única e definida. Contudo, mais de um século depois do
início da revolução quântica, não há consenso entre os físicos quanto à razão e à forma de
compatibilizar esse fato básico com a expressão matemática da teoria.
Brian Greene. A realidade oculta: universos paralelos e
as leis
profundas do cosmo. José Viegas Jr. (Trad.) São Paulo:
Cia das Letras, 2012, p. 15-16 (com adaptações).